Em Arapiraca
Filho de vítima morta no Bosque critica culpabilização da mulher
Wesley Santos rebate críticas ao horário em que a mãe caminhava e diz que crime foi oportunista
O filho de Cícera Laura da Silva, de 47 anos, encontrada morta no Bosque das Arapiracas, em Arapiraca, no Agreste de Alagoas, criticou a tentativa de culpabilização da vítima após o crime. Wesley Santos rebateu comentários que questionam o fato de a mãe ter saído para caminhar por volta das 4h30 da manhã, horário em que desapareceu.
“A questão não é o horário. A questão é que o meliante foi oportunista. Ele se aproveitou da oportunidade”, afirmou. Segundo ele, qualquer mulher que estivesse no local naquele momento poderia ter sido vítima do crime.
Wesley também destacou que, após a morte da mãe, outras mulheres passaram a relatar episódios de assédio na região do bosque, incluindo abordagens constrangedoras, toques indevidos e palavras de baixo calão. Para ele, os relatos indicam que o local já apresentava riscos e que o crime não foi um fato isolado.
Ao comentar o hábito da mãe de caminhar cedo, Wesley explicou que a atividade fazia parte da rotina de Cícera e funcionava como uma forma de terapia, especialmente após momentos difíceis. “Não era a minha mãe, era qualquer uma que passasse. Infelizmente, foi a minha mãe”, disse.
Ele também rejeitou qualquer associação do crime à forma de vestir ou ao comportamento da vítima. “Não é sobre veste, não é sobre comportamento, é sobre ser mulher. Está cada vez mais difícil, no nosso país, uma mulher ser mulher e fazer o que gosta”, afirmou.
Cícera Laura da Silva estava desaparecida desde o domingo, 4, e teve o corpo encontrado na terça-feira, 6, em estado de decomposição, no Bosque das Arapiracas. Um homem foi preso na quarta-feira, 7, suspeito de envolvimento no crime e teve a prisão preventiva mantida após audiência de custódia. O caso segue sob investigação.



